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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Re(começo) e Doação de Sangue!

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Ei Pessoal,

Tudo bem?

Já faz mais de um ano desde a minha última postagem (infelizmente!)... Mas, há momentos em que é preciso reconhecer que a gente necessita de uma PAUSA para reorganizar a vida e recarregar as “baterias”. 

Quero agradecer profundamente aos leitores que continuaram acessando o blog nesse período, mesmo que não houvesse conteúdo novo. Isso meu deu ânimo, coragem e determinação!

Ainda não sei com que frequência conseguirei escrever, contudo decidi (re)começar.

Para esse novo capítulo, escolhi falar de um assunto sério e que pode salvar vidas: doação de sangue!

A ciência avançou muito e fez várias descobertas na área da saúde, mas ainda hoje, não encontrou um substituto para o sangue humano. Apesar disso, no Brasil, apenas 1,8% da população doa sangue, o que significa que estamos longe de alcançar a meta proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 3% da população doadora.

No País, 3,5 milhões de pessoas realizam transfusões sanguíneas por ano. O sangue doado também é essencial para atendimentos de urgência, cirurgias de grande porte e tratamentos de doenças crônicas e cânceres.

A doação de sangue é um procedimento rápido e seguro! E cada doação pode beneficiar até 4 pessoas.

Veja os requisitos:

Quem pode doar?
- Pessoas entre 16 e 69 anos. (se o voluntário à doação de sangue tem entre 16 e 17 anos ou mais de 60 anos, é importante conhecer as normas e documentos necessários para doação de sangue).
- Quem tem e está com boa saúde;
- Quem pesa acima de 50 kg;
- Quem dormiu bem na noite anterior à doação;
- Mulheres, mesmo se menstruadas ou em uso de anticoncepcionais

Quem não pode doar?
- Quem teve hepatite após os 11 anos de idade, exceto se tiver comprovação laboratorial da época em que a pessoa tratou da hepatite A (IgM positiva).
- Quem teve exposição a situações de risco acrescido para doenças sexualmente transmissíveis nos últimos doze meses;
- Quem teve gripe, resfriado ou diarreia nos sete dias anteriores à doação;
- Quem ingeriu bebida alcoólica nas últimas 12 horas anteriores à doação;
- Quem já usou alguma vez drogas injetáveis;
- Quem apresenta ferimento ainda não cicatrizado;
- Quem estiver grávida ou em período de amamentação. Após o parto normal é necessário aguardar três (3) meses e após cesárea, seis (6) meses;
- Quem fez qualquer exame ou procedimento endoscópico nos seis (6) meses;
- Quem fez cirurgia por laparoscopia nos últimos seis (6) meses;
- Quem fez tatuagem nos últimos 12 meses;
- Quem fez tratamento dentário recente (a pessoa pode ser impedida de doar por um período de 1 a 30 dias, conforme o caso);
- Quem fez piercing nos últimos 12 meses anteriores à doação. Piercing localizado em área genital ou na boca, somente poderá ser liberada a doação após 12 meses da sua retirada.

Quer saber mais? Acesse:

Se você está em Uberlândia, nesse sábado está acontecendo um grande mutirão de doação! Participe!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Paradigmas da modernidade: a vida das mulheres!



Às vezes, olho para a minha mãe e penso que nunca poderei ser uma mãe como ela, muito menos como a minha vó. Como cheguei à essa conclusão? Melhor recapitular a história...

Minha vó foi prometida ao meu avô quando nasceu, ela só o conheceu no dia do casamento, casou-se ainda adolescente, viajou de navio por aproximadamente 3 meses para chegar ao Brasil e teve 12 filhos (acreditem se quiserem!). Até o seu último dia respeitou a sua cultura de origem, foi forte, batalhadora e conseguiu criar seus filhos sozinha, já que meu avô faleceu muito cedo e não haviam parentes por aqui. Apesar das dificuldades, todos seus filhos seguiram o caminho do bem, e nunca lhes faltou carinho, conselhos e colo. Nunca ninguém a viu derramar um lágrima, ela tinha a capacidade de reunir toda a família e era a mais sábia dos mulheres. 

No segundo capítulo dessa história está a minha mãe. Ela abriu mão do trabalho quando se casou. Sua dedicação foi total à nós (eu, meu irmão e meu pai). Não consigo me lembrar de um único momento no qual ela não estivesse presente. Sinceramente, acho que não existe. Ela sempre cuidou das refeições, dos aniversários, da roupa, dos cadernos, do shampoo, da escova de dentes, da tarefa de casa, da mamadeira, da blusa de frio, da mochila, do lanche, do cabelo... Sempre sofreu, chorou, riu, comemorou, caiu e levantou em cada um dos momentos pelos quais eu e meu irmão passamos. Aprendeu o que não sabia só para atender aos nossos pedidos e ver nosso sorriso. 

Seguindo mais um capítulo, aqui estou eu. É verdade que ainda não tenho filhos, mas tenho convivido tanto com mulheres-mães-profissionais que já imagino o que vem pela frente. Não me parece ser nada fácil! (acho que já estou sofrendo por antecedência). Mas sempre me questiono sobre o futuro da instituição chamada família. Com essa vida turbulenta em que vivemos, repito, parece ser quase impossível ser uma mãe, tal qual a minha avó ou a minha mãe. Sem filhos, mal temos tempo para comer, cuidar da casa, viajar, cuidar da beleza, estudar, dormir, descansar, afinal o trabalho e as responsabilidades estão na empresa, em casa e onde quer formos, por meio da tecnologia. Com filhos, só sendo mãe para conseguir gerenciar a agenda profissional, pessoal e dos filhos. E, quando algo não dá certo, como elas sofrem por terem que escolher entre os filhos e a profissão!

Alguns podem dizer que tudo é questão de gestão do tempo, afinal vivemos a era da tecnologia e da informação, em uma época em que as mulheres são livres (embora ainda desrespeitadas) e grandes profissionais. Mas, mesmo assim eu me pergunto se mesmo gerindo o meu tempo eu verei os primeiros passos do meu filho, antes da babá, ou da tia da escolinha, ou da minha mãe. Se eu estarei viajando ou participando de algum compromisso profissional quando ele cair, ou brigar com a namorada, ou precisar fazer a tarefa de casa. 

Por outro lado, pode ser que a resposta não seja a gestão do tempo, mas sim as escolhas de vida que fazemos, já que nós (mulheres) não somos obrigadas a trabalhar. Será que não? Então, quem irá pagar as despesas da casa, a escola do filho, o convênio médico, as roupas, os remédios? Só o homem? E, se o dinheiro não for problema, onde fica a realização profissional da mulher, todo o seu potencial e todos os seus sonhos? Assim, parece-me que trabalhar continua sendo necessário para o bolso e para a autoestima e autorrealização.

E o que fazemos? Não sei! Mas é aí que eu me lembro do que uma amiga que dizia: “se hoje eu encontrasse aquela mulher que queimou o sutiã eu daria uns tapas nela. Eu adoraria uma vida de Amélia, cuidando apenas da minha casa, do meu marido e dos meus filhos”. 

É mais do que óbvio que sou contra as conquistas das mulheres (de maneira nenhuma!), até porque sou uma dessas "mulheres modernas", que se beneficiou da conquista de todas aquelas que, no passado lutaram, e daquelas que ainda continuam lutando para que tenhamos respeito pelo que somos, enquanto mulheres, mães, esposas e profissionais.  

Entretanto, o fato é que eu não consigo vislumbrar uma forma de conciliar toda a minha trajetória profissional desse mundo frenético, com o meu papel de mãe, no sentido mais amplo do termo, ou seja, sendo para os meus filhos, tudo o que a minha mãe foi e é pra mim, e tudo que a minha vó foi para a minha mãe, pois isso sempre fez uma profunda diferença em nossas vidas, em todos os momentos. 

Enfim, não tenho respostas, apenas questionamentos e reflexões... Paradigmas de uma vida moderna!

Ps. Por que eu chamei de paradigma? Só o meu professor de epistemologia para explicar! hahaha...

Thina


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Texto: Sobre o dia dos namorados e outras tantas datas de dar presente


Quanto mais o tempo passa, mais observo as datas comemorativas e o comportamento das pessoas. Às vezes tenho a sensação de que o verdadeiro significado dessas datas foi esquecido ou, simplesmente, deixado para trás. Então, o que restou? Apenas a vontade e a necessidade louca e desenfreada de se comprar um presente. Ponto para o consumismo!

E, assim, o Natal, o Dia das Mulheres, o Dia dos Pais, o Dia dos Namorados, a Páscoa, o Dia das Mães e até o Carnaval, ganharam um novo e igual significado: dia de dar presente.

Quer um exemplo? O dia dos namorados se aproxima e por onde ando não vejo declarações, nem frases inspiradoras, nem gestos de carinho, nem mudanças de atitude... (Me perdoem a generalização!). Vejo apenas propagandas e campanhas publicitárias dizendo subjetivamente, ou não, que o mais importante é o presente. Ou seja, não se esqueça do presente neste dia especial e tudo estará resolvido, seu namoro está garantido por, pelo menos, mais um ano.

E eu que sempre pensei que namoro fosse algo bem mais complexo do que dar um presente. Acho que estou ficando velha e/ou vivendo no passado! Sonhando com aquela época em que o dia dos namorados era comemorado e vivenciado todos os dias. Quando os namorados não recorriam aos presentes para compensarem a ausência e que o amor era cultivado com pequenos gestos e carinhos. Quando à mesa do jantar não haviam telefones, nem Internet, nem trabalho à distância e nem selfie. Quando os casais não precisavam gerenciar as redes sociais a cada segundo para saber se as pessoas curtiram o presente, que antes de desembrulhado já foi compartilhado. Quando as declarações eram olho no olho e o buque eram de flores cuidadosamente colhidas do jardim. Quando as pessoas não precisavam de data especial, nem de modismo nenhum para sair de mãos dadas e olhar as estrelas ou para jantar à luz de velas. Quando o presente de dia dos namorados era estar presente na vida um do outro, independentemente do local, do tempo, do valor, do restaurante, do laço vermelho, do tamanho da caixa, das curtidas e, principalmente, do que os outros pensam ou falam.

E antes que alguém ache que eu não gosto de dar e nem de receber presentes, já vou logo avisando: eu adoro! Não sou contra mimos nem presentes. Eu gosto e tenho certeza que você também, afinal eles também são gestos de carinho. No entanto, já parou para pensar no que está sendo mais pesado nesta balança? O que você sente e faz todos os dias pelo seu namorado(a) ou o presente que você compra no dia dos namorados? Se for o presente, ainda dá tempo de equilibrar essa balança, tirando algumas doses de consumo e acrescentando algumas pitadas de amor. 

Acredito que você não vai se arrepender!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Comportamento: Ele é músico, e daí?


Para entrar na faculdade eu tive que "passar no vestibular" e meu namorado também. Fui aprovada em uma universidade federal, para um curso bem colocado nas avaliações do MEC, ele também. Foram muitos dias, noites, feriados e fins de semana de estudo, para ele também.

Qual a diferença? Que eu fiz duas provas para conseguir ingressar e ele fez três? Que meu curso era noturno e o dele integral? Não! A diferença é que eu fiz Direito e ele Música.

Me incomoda profundamente a visão distorcida e preconceituosa que tantas pessoas têm. Será que precisamos só de advogados, juízes, engenheiros, médicos e administradores? É sempre uma cara espanto, seguida da pergunta: você trabalha em outra coisa? Esse é o seu trabalho?

Não entendo porque ele deveria fazer outra coisa. Essa também não é uma profissão? E quem foi que instituiu o que deve ser considerado como profissão? Infelizmente parece-me que um professor também passa por isso. Então, se é assim, meu namorado pode desistir. O que se pode esperar de um músico e professor?  

Só não sei o que seria do seu casamento, da sua formatura, das baladas, dos bares, dos filmes, das novelas, das crianças, enfim, da vida, sem música.

Qual o problema dessa profissão? Trabalhar durante a noite ou durante o dia enquanto as outras pessoas se divertem? Ou trabalhar muito dando aula em escolas de músicas ou aulas particulares? Acho que o problema é a construção de um estereótipo de safadeza, de falta de profissionalismo e de falta de conhecimento que algumas pessoas que se dizem tão cultas e esclarecidas espalharam e espalham por aí. Se eu dissesse, porém, que não existem profissionais assim eu estaria sendo injusta, afinal em qual profissão não existem os piores dos piores?


Se você acha que tudo é fácil na vida de um músico e vira festa no fim, tal qual o ditado “sexo, drogas e rock n’ roll”, tente ao menos um dia se colocar no lugar de um profissional sério, que estuda constantemente para aprimorar as técnicas, que muitas vezes é desvalorizado e mal remunerado, mas que assim como você, paga todas as contas no fim do mês.

Por fim, digo que esse texto não é uma lição de moral. É só um desabafo e que talvez sirva de reflexão, não apenas quando se trata de um músico, mas também no que diz respeito à tantas profissões e profissionais que são desvalorizados por aí. Reflita antes de julgar! Será que você nunca precisou ou precisará de algum deles em algum momento da sua vida? Como seria a sociedade sem eles? 

Somos todos interdependentes e nossos conhecimentos e habilidades se complementam.

Thina

sábado, 16 de novembro de 2013

Comportamento: Estar disposto!


Nestes últimos dias tenho visto nas redes sociais várias pessoas compartilhando o texto chamado “casamento não é para você”. O texto é “profundo” e conduz a reflexões de como temos nos portado diante dos nossos companheiros de jornada. Afinal, quem já quem um relacionamento sólido sabe muito bem que amar e ser amado não significa 24 horas de alegria e satisfação. E, assim sendo, o texto me levou a pensar que o grande segredo dos casamentos felizes e relacionamentos duradouros, além do amor (óbvio!), é estar disposto.

É preciso estar disposto a ser melhor a cada dia, a transformar a raiva em paciência e compreensão, mesmo quando você já falou mil vezes que a sala não é o melhor lugar para “guardar” o sapato. É necessário ter disposição para ser carinhoso e cuidadoso, mesmo quando seu dia foi insuportável, seu chefe lhe disse os maiores desaforos, o trânsito estava parado e você ficou sem almoçar. Você tem que estar disposto a sempre procurar e enxergar as qualidades antes que os defeitos tomem conta da relação, da mesma forma que você tem que estar disposto a sonhar o mesmo sonho, a pensar junto, a construir junto e a pintar as paredes de casa juntos, ainda que você não goste muito da cor que outro escolheu.  É estar o tempo todo disposto a fazer o outro feliz e mais feliz, ainda que existam vários “apesar de”.

E como diz Anderson Cavalcante, “Amar é estar disposto a correr risco, todos os tipos de riscos: de se decepcionar, de perder, de ser mal compreendido, de ser rejeitado, de ser surpreendido...”. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Organização e Faxina


Tem dias que a gente acorda disposto a arrumar nossa bagunça interna, jogar fora o que não é mais necessário e limpar o que ainda está sujo, afinal, as coisas mudam, a vida muda, pessoas, sentimentos, dúvidas, tristezas, alegrias e angústias vêm e vão...

Por outro lado, o tempo, ou melhor, a falta dele, somado à dificuldade que temos em lidar com todas as situações da vida, acabam nos fazendo acreditar que deixar para depois é a sempre melhor alternativa. Mas já que não dá pra passar a vida inteira jogando a sujeira pra debaixo do tapete, o jeito é enfrentar a faxina.

Ok! Confesso que não é fácil praticar o desapego, especialmente de coisas não materiais, e que provavelmente estão guardadas há muito em gavetas da memória ou do coração. É difícil vasculhar o que te fez sofrer, ainda que seja com a intenção do “nunca mais”. Nunca mais ver, nunca mais lembrar, nunca mais sentir, nunca mais guardar, nunca mais se lembrar, nunca mais chorar. Dá medo de ir tirando as emoções das gavetas e sofrer novamente. Dá medo de rever as situações com outros olhos e sentir que fez tudo errado. Dá medo de jogar fora as coisas que você sabe que te fazem mal, mas que mesmo assim não tem certeza se quer se quer mesmo se livrar.

Talvez a palavra chave para esse momento seja: coragem! Se te faz ou te fez sofrer tenha coragem e despeça-se. Chore e grite se for necessário (e muitas vezes é), mas seque as lágrimas, recicle o que ainda lhe serve e jogue, sem dó, o restante no lixo. No entanto, se depois disso tudo perceber que ainda vale à pena voltar atrás, dê uma nova chance à você mesmo e corra atrás do prejuízo. Caso contrário, o melhor é preparar o armário para as novas oportunidades.

Também é importante que nos lembremos do lado bom dessa história toda! Olhar pra dentro é uma maravilhosa oportunidade de repensarmos o que somos, como estamos, onde queremos chegar e o quanto já conquistamos. É um motivo para mexer na caixa das lembranças e sorrir enquanto a mente e o coração nos levam à pessoas, músicas, lugares, momentos.

Porque já dizia Caio Fernando Abreu: guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.


Enfim, o nome disso tudo não é praticidade, é amor próprio e paz de espírito.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

É carnaval!!!

Olá Pessoal,

Hoje é Carnaval!!

Por isso o Sala deseja a todos boas festas, mas com muita responsabilidade!
Podem pular, dançar, aproveitar... Mas se abusar de mais, acaba com a festa de todo mundo!

Por isso, juízo galera!!


 



E bora festar!


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sobre o BBB...


Essa semana o assunto foi o BBB. Incansável criador de polêmicas, o programa tem sempre surpreendido negativamente. Não digo que nunca o assisti, mas há muito o programa deixou de ser algo que vale à pena. Em suas primeiras edições o BBB era uma grande novidade e estávamos curiosos para sabermos qual participante teria a melhor estratégia. Mas, o tempo foi passando e hoje tudo que vemos é a exaltação de cenas, situações e ações que em nada acrescentam em nossas vidas. Ao contrário, é triste ver tanta degradação. 

Sobre tudo isso, li um texto que acredito ser perfeito. Talvez muitos já tenham visto nas redes sociais, mas para aqueles que não viram aproveitem para ler. 

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo e valores morais, com tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... Todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade do brasileiro.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis.

Caminho árduo?
Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.

Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais.

Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão ...

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

Ps. Foi dada a autoria desse texto à Veríssimo, no entanto, ele próprio disse que o texto não foi por ele escrito, durante o programa Altas Horas do dia 12/01. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Escolhas de uma vida



A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!

Pedro Bial

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Aprenda a chamar a polícia



Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa.

Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.

Como minha casa era muito segura, com  grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali,espiando tranquilamente.

Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram- me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.

Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:
-Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara! 

Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.

Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.

No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
- Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.

Eu respondi:
- Pensei que tivesse dito que não havia nenhuma  viatura disponível.

Luiz Fernando Veríssimo

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Receita da Dona Cacilda



Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, miúda, e tão elegante, que todo dia às 08 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão.

E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução..

Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela.

Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho.

- Ah, eu adoro essas cortinas...
- Dona Cacilda, a senhora ainda nem viu seu quarto... Espera um pouco...

- Isto não tem nada a ver, ela respondeu, felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... Vai depender de como eu preparo minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo.
Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem...
Ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.

- Simples assim?

- Nem tanto; isto é para quem tem autocontrole e exigiu de mim um certo 'treino' pelos anos a fora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em conseqüência, os sentimentos.

Calmamente ela continuou:

- Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica..Depois me pediu para anotar:

Como manter-se jovem?

1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura.
Deixe que os médicos se preocupem com isso.

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo.
(Lembre-se disto se for um desses depressivos! )

3. Aprenda sempre:
Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso.
'Uma mente preguiçosa é oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é Alzheimer!

4. Aprecie mais as pequenas coisas
  
5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar.
E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele / ela!

6. Quando as lágrimas aparecerem
Aguente, sofra e ultrapasse.
A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós próprios.
VIVA enquanto estiver vivo.

7. Rodeie-se das coisas que ama:
Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja.
O seu lar é o seu refugio.

8. Tome cuidado com a sua saúde:
Se é boa, mantenha-a..
Se é instável, melhore-a.
Se não consegue melhora-la , procure ajuda.

9. Não faça viagens de culpa.. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente,   mas NÃO para onde  haja culpa
  
10. Diga às pessoas que ama que as ama a cada oportunidade.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Cuide bem do seu amor



Trate seu amor como você trata seu melhor amigo.
Sei que isso parece falta de romantismo, mas é o conselho mais certeiro. Não era você que estava a fim de uma relação serena e plenamente satisfatória? Está aí o caminho. Vamos tentar elucidar como isso se dá na prática.
Você foi convidado para o casamento de uma prima distante que mora onde Judas perdeu as botas. Você tem que ir porque ela chamou você pra padrinho. Como é que os casais costumam combinar isso? “Não tem como escapar, você vai comigo e pronto”. Ou seja, um põe o outro no programa de índio e nem quer saber de conversa.
É assim que você convidaria seu melhor amigo? Não. Você diria: “Putz, tenho uma roubada pela frente que você não imagina. Me dá uma força; vem

comigo, ao menos a gente dá umas risadas…”. Ficou bem mais simpático, não ficou?

Como esta, tem milhões de situações chatas que você pode aliviar, apenas moderando o tom das palavras.
Pro seu marido: “Você nunca repara em mim, não deu pra notar que cortei o cabelo? Será que sou invisível?” Mas pra sua melhor amiga: “Ai, pelo visto meu cabelo ficou medonho e você está me poupando, né? Pode dizer a verdade, eu agüento”.
Pra sua mulher: “Você já se deu conta da podridão que está este sofá? Não dá pra ver que está na hora de trocar o tecido?” Mas pra sua melhor amiga: “Deixa a pizza por minha conta, eu pago. Assim você economiza pra lavar o sofá. A não ser que este seja um novo estilo de decoração…” Risos, risos e mais risos.
Manere. Trate seu amor como todas as pessoas que você adora e que não são seus parentes. Trate com o mesmo humor que você trata seu melhor amigo, sua melhor amiga. Até porque, caso você não tenha percebido, é exatamente isso que seu amor é.
Pedro Bial

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Cascão e Cebolinha em Amizade

Ei Pessoal,

Boa Tarde!

Nada melhor que falar de amizade não é?! Eu aproveito para agradecer a todas as pessoas que têm nos acompanhado, seja enviando sugestões, fazendo seus comentários, fazendo parte do face, do twitter e lendo nossas postagens. Estamos muito felizes com a amizade e o carinho de todos. 

Além disso, esse texto é forma de homenagear à todos os meus amigos, em especial ao grande amigo que me enviou esse texto, aos amigos do Sala de Espera e à todos aqueles que valorizam as suas amizades. 

beijão,
Thina










quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Colaborador: Artur Queiroz - Como você quer perder?


Ei Pessoal!

O texto de hoje é do colaborador Artur Queiroz! Já disse outras vezes, mas continuo ressaltando o quanto sou fã do que ele escreve. Espero que em breve ele venha fazer parte dessa equipe definitivamente, não é Sr. Artur? hehehe...

beijão,
Thina

Como você quer perder? 

O que faz um ser-humano se não as relações construídas durante todo o caminhar de sua existência?

É isso que define o caráter, a personalidade, o senso do certo ou errado.

Por isso, todo e qualquer tipo de relação é importante. Sejam elas relações familiares, conjugais, relações construídas em um meio religioso, acadêmico, de trabalho, etc.

Conviver apenas com a família e os amigos não é suficiente. É preciso conhecer pessoas, conviver com elas, assim como é preciso trabalhar e precisar sustentar a si próprio para descobrir o verdadeiro valor do dinheiro. É preciso perder alguém (em todos os sentidos que você conseguir imaginar agora) para descobrir que esse alguém faz falta.

É preciso aprofundar muito na vida de um indivíduo para descobrir que ele, na verdade, são duas pessoas distintas. Por fora um anjo, por dentro um demônio.

No entanto, é impossível construir relações com “garantias de fábrica”. Isso não existe. Por mais que tentemos, não é possível conhecer tão bem uma pessoa a ponto de descobrir o que ela está pensando ou por que está agindo de uma maneira ou de outra.

Talvez por isso seja tão difícil lidar com as perdas. Uma perda é, na verdade, o efeito colateral de uma relação. Um dia isso acontece. Fato!

Mais difícil que uma perda é o momento que a antecede. Aquele momento em que se manifesta a angústia, a ansiedade, as dúvidas e as incertezas. A expectativa do que acontecerá mais tarde. O que será que se passa na cabeça do outro?

Acontece que esse “efeito colateral” pode se manifestar de duas formas distintas. E isso depende de como se deu a construção da relação em questão.

Aquelas relações construídas por meio de falsidades e perversidades certamente não acabam bem. Sendo assim, a perda deixará apenas feridas, ódio, raiva, rancor e tristeza. Depressão.

Por outro lado, existem relações construídas por meio do respeito e da fidelidade. Alicerçadas em sorrisos e gargalhadas. Construídas através do “preocupar-se um(uns) com o outro(s). Construídas através de olhares compassivos. Nesse caso, a perda deixa saudades, deixa boas lembranças.

Enfim, o ideal é evitar a perda. Afinal, não é algo muito agradável. Porém, a forma como tudo termina depende de como tudo se deu. Portanto, faça sua escolha.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Aprendendo a desaprender


Passamos a vida inteira ouvindo os sábios conselhos dos outros. Tens que aprender a ser mais flexível, tens que aprender a ser menos dramática, tens que aprender a ser mais discreta, tens que aprender... praticamente tudo. Mesmo as coisas que a gente já sabe fazer, é preciso aprender a fazê-las melhor, mais rápido, mais vezes. Vida é constante aprendizado. A gente lê, a gente conversa, a gente faz terapia, a gente se puxa pra tirar nota dez no quesito "sabe-tudo". Pois é. E o que a gente faz com aquilo que a gente pensava que sabia?

As crianças têm facilidade para aprender porque estão com a cabeça virgem de informações, há muito espaço para ser preenchido, muitos dados a serem assimilados sem a necessidade de cruzá-los: tudo é bem-vindo na infância. Mas nós já temos arquivos demais no nosso winchester cerebral. Para aprender coisas novas, é preciso antes deletar arquivos antigos. E isso não se faz com o simples apertar de uma tecla. Antes de aprender, é preciso dominar a arte de desaprender.Desaprender a ser tão sensível, para conseguir vencer mais facilmente as barreiras que encontramos no caminho. Desaprender a ser tão exigente consigo mesmo, para poder se divertir com os próprios erros. Desaprender a ser tão coerente, pois a vida é incoerente por natureza e a gente precisa saber lidar com o inusitado. Desaprender a esperar que os outros leiam nosso pensamento: em vez de acreditar em telepatia, é melhor acreditar no poder da nossa voz. Desaprender a autocomiseração: enquanto perdemos tempo tendo pena da gente mesmo, os dias passam cheios de oportunidades.

A solução é voltar ao marco zero. Desaprender para aprender. Deletar para escrever em cima. Houve um tempo em que eu pensava que, para isso, seria preciso nascer de novo, mas hoje sei que dá pra renascer várias vezes nesta mesma vida. Basta desaprender o receio de mudar.

Martha Medeiros